Tempo: um apêndice do espaço em um mundo de 11 dimensões
Minha amiga virtual, SaN, de Curitiba, me apresentou o vídeo abaixo: Universos paralelos. Trata-se de um (belo) documentário, de cerca de 40 minutos, sobre as atuais teorias físicas que buscam explicar o universo e que trazem conseqüências para muito além da mera explicação da matéria e da criação.
As teorias físicas conectam-se com visões estéticas, mexem, especialmente, na percepção do tempo e do espaço... e da própria noção de realidade. Sobre o fim do documentário - o cientista imagina poder construir um novo 'universo' no porão de casa) - é necessário que se reflita: uma vez criado esse 'universo' no porão de casa, o que será ele? O real, a realidade, ou uma 'outra realidade', tal como a realidade própria do Big Brother?
De certa forma, alguns artigos que aqui escrevi tratam das relações da arte e da cultura com o espaço-tempo, com as teorias físicas, principalmente os que se intitulam Um diálogo entre arte e ciência e Entre realidade e reality, cresce mercado da ‘presença’. Quem quiser "pescar" algo mais sobre essas conexões, boa leitura.
E tenham uma boa sessão de vídeo!
Um diálogo entre arte e ciência
Há quem pense que ciência e arte são duas coisas tão diferentes que nada têm a ver uma com a outra. Realmente, os métodos de criação e produção são bastante distintos, mas as histórias da arte e da ciência têm mostrado que esses dois campos do conhecimento dialogam, sim, entre si. E muito.
Esse diálogo, aliás, já existia desde os tempos da metafísica. Um exemplo claro é o existente entre a concepção espacial de Aristóteles e a pintura, por exemplo, da Idade Média. É que pela concepção aristotélica, o espaço não tinha volume, nem profundidade, sendo apenas a superfície das coisas. Isso porque, para Aristóteles, um volume vazio era algo que a natureza não permitia. E como, segundo ele, um volume de nada era coisa que não podia haver, a conclusão a que chegou foi a de que o espaço não podia ter volume. Era tão só o conjunto de limites que separavam uma coisa da outra.
Quando se observa a pintura medieval, chapada, sem a dimensão da profundidade, se percebe logo o quanto essa idéia teve implicações na arte. Mas, no início do século XIV, artistas e homens da ciência já lutavam, ainda que inconscientemente, por uma nova concepção de espaço. Na arte, Giotto (1266 [ou 67] – 1337), foi o primeiro a pintar objetos com ilusão de profundidade, mas ainda apenas os objetos individualmente e não as áreas intervenientes entre eles.
Margaret Wertheim, em seu livro “Uma história do espaço – de Dante à Internet”, diz que, no início do século XV, Hasdai Crescas, um judeu espanhol, já sustentava que o espaço físico não era a superfície que envolvia as coisas, mas o volume que elas ocupavam. Mas, ainda segundo Wertheim, a história mostra como os homens de ciência não foram, até o século XVII, capazes de superar as idéias aristotélicas sobre o espaço, até porque havia complicações teológicas envolvidas. Os artistas, diz ela, foram os que primeiro “encontraram uma maneira de dar sentido coerente à idéia de um espaço físico dotado de extensão”.
Pintores como Leon Battista Alberti, Piero della Francesca e Leonardo da Vinci, no decorrer do século XV, desenvolveram um conjunto de regras para a representação de objetos em espaço tridimensional numa superfície bidimensional. Fizeram isso a partir da perspectiva linear, definida por eles como “ótica e geometria aplicadas”, o que permitiu a representação de imagens 'reais' de simulação do mundo físico. Essa tecnologia visual dominará a estrutura da arte ocidental pelos próximos quinhentos anos.
A partir do final do século XIX, questionamentos sobre a representação e a simulação de imagens 'reais' passarão a fervilhar, principalmente, no meio da arte, literatura e filosofia. Um dos fatores que contribuiu para modificar a maneira de representar o mundo pela arte foi o advento da fotografia, com sua capacidade de ‘reprodução’ da realidade física. A ‘revelação’ de novas imagens e até mesmo a ‘libertação’ da arte do lastro da materialidade passaram a ser perseguidas. As inquietações acabam culminando no movimento modernista.
No século XX, a própria ciência física vai transformando seus conceitos sobre espaço. Einstein, com sua Relatividade, incorporou o tempo como uma quarta dimensão do espaço. E, segundo a física do hiperespaço, na fração de segundo inicial de criação do universo (o big bang), tudo o que existe hoje estava ‘embrulhado’ dentro da unicidade de um espaço ‘puro’ de onze dimensões, a partir de onde o universo se desdobrou. Conforme a teoria do hiperespaço, como constata Wertheim, não estaríamos mais no espaço, seríamos o espaço, uma parte de seu desdobramento, de forma que matéria e espaço, de certa maneira, parecem se igualar numa mesma categoria ontológica.
Tais conceitos científicos trazem impactos para o campo da arte e da cultura. Mas esse diálogo contemporâneo fica para uma próxima oportunidade.
Noel Rosa: a ponte entre o morro e a cidade
Como a ‘inauguração’ deste blog foi em data posterior ao dia exato (4 de maio) dos 70 anos da morte de Noel Rosa, sinto-me no direito de fazer essa humilde ‘homenagem’ a este compositor que muitos consideram como o marco inaugural da música popular brasileira. João Máximo, estudioso da vida e obra de Noel, tributa a ele a primeira ponte entre o morro e a cidade, visto que foi o primeiro branco de classe média a fazer parceria com sambistas negros.
O estilo de Noel parece, na verdade, ter caído como uma luva naquele momento da vida histórica do país. A Revolução de 30 urgiu a contrução do Estado e da Cultura Nacional. Até então, o pensamento das elites e a programação hegemônica nas rádios giravam em torno de uma cultura clássica, mais erudita. A construção do Estado e da Cultura Nacional, demandada pelas camadas urbanas e industriais, exigia novas relações de consumo e a abertura de portas para um relacionamento mais estreito entre as culturas oficial e popular, permitindo a necessária convivência entre as camadas cultas, as classes emergentes e o povo.
Embora tenha morrido de tuberculose aos 26 anos, em 1937, quando eu nem de longe sonhava em nascer, não há como negar que a música de Noel marcou momentos felizes e descontraídos de minha infância, quando a família reunida, das crianças aos mais idosos, danava a cantar "Pastorinhas", dentre tantas e tantas outras músicas, nos saraus improvisados que, muitas vezes, dispensavam qualquer instrumento musical. A música de Noel tinha a cara da minha família, em seu trânsito entre os subúrbios e a Zona Sul do Rio.

Poeta da Vila
Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro, de um parto de fórceps, o que lhe valeu uma deformação no queixo. Criado em família de músicos, integrou o Bando de Tangarás. Nada mais, nada menos que Almirante, João de Barro, Henrique Brito e Alvinho completavam o grupo. Noel também estudou medicina, embora fosse essencialmente um boêmio que preferia a escola poética dos botequins e cabarés. Seu primeiro sucesso, o samba "Com que Roupa?", estourou no carnaval de 1930. Uma trajetória curta, porém intensa, foi marcada por incansável produção - estima-se que deixou um legado de 229 músicas.
Quem quiser conhecer ou rememorar alguns sucessos do compositor, uma das alternativas é a Rádio Uol , que tem uma seleção de várias músicas cantadas por ele e por grandes intérpretes da Era do Rádio, tal como Aracy de Almeida, a cantora preferida de Noel. Tem também uma sublime interpretação de “Pastorinhas”, pelo violonista virtuose Baden Powell e ainda “Pierrô Apaixonado”, na voz de Maria Bethânia, quem, segundo o jornalista e músico Luís Nassif, “recuperou” Noel nos anos 1960 para, a partir daí, ele ser definitivamente entronizado no “altar dos criadores da música popular brasileira”.
A vida do compositor virou filme: Noel Rosa - Poeta da Vila, de Ricardo van Steen, e inspirado na biografia escrita por João Máximo e Carlos Didier, estreará em agosto, segundo informações do Ministério da Cultura. No elenco, Rafael Raposo (no papel título), Camila Pitanga e Paulo César Pereio. Depois que assistir ao trailer, algumas opções de vídeos relacionados a Noel irão aparecer, inclusive um raro registro filmado do Bando de Tangarás.
Próxima performance será no dia do 2º aniversário da morte de Jean Charles
Recebi, pela internet, notícias do estudante, nadador, film-maker e ativista da paz brasileiro, Paulo Duarte Guimarães, que, nesse sábado (17), cruzou pela segunda vez o rio Tamisa, em Londres, por conta de sua performance-manifesto Swim for Peace (mais informações em post mais abaixo). Dessa vez ele não foi preso: “acho que a polícia não quer mais me prender, pois sabem que se isso acontecer de novo, o nosso movimento aumenta”, escreveu.
No período em que tem estado em Londres como estudante da University of Arts, Paulo tem feito diversos registros com sua câmera. Na sexta (16), filmou uma manifestação de um grupo de cerca de 100 nazistas ao lado da Praça do Parlamento. A próxima performance está agendada para 22 de julho, dia em que o brasileiro Jean Charles de Menezes, há dois anos trás, foi morto pela polícia londrina no metrô de Stockwell, no sul de Londres. Abaixo, parte do relato de Paulo sobre a travessia do Tamisa a nado.
"Deu tudo certo, a correnteza do rio estava tranqüila, o sol raiou na hora. Entrei nas águas às 10 pras 18hs daqui de Londres e às 18hs estava nas escadas do Parlamento novamente... Levei um pano branco escrito PEACE. Cantei um trecho da música do Lennon - Give peace a chance [...] a rainha tinha desfilado 3 horas antes nas ruas [ela completou 81 anos neste dia]... Tudo bem!! Valeu!! Hoje mais à noite vai estar rolando no Youtube: for peace. Esse vídeo estará trazendo uma mensagem convocando as pessoas de Londres para o dia 22 de julho, dia que fazem 2 anos da morte do Jean".
Com fronteiras diluídas, game instiga vida ficcional
Muito embora pessoas sérias suspeitem que o Second Life (SL) funcione como uma espécie de “vírus” do tipo Try Me (me experimenta) - caracterizado por notícias sobre algo “novo e maravilhoso” que atrai massas de pessoas dispostas a se inscrever e testar o produto, mas sem aderir a ele -, o fato é que temos sido bombardeados com notícias sobre o SL.
De acordo com Clay Shirk, professor da New York University, no início do ano passado, a taxa de abandono do game era maior que de 90%. No entanto, outros já encaram o SL como o maior game social da atualidade, com direito à guia de arte, diversão, cultura, compras e gastronomia virtual.

Loja da Adidas vende ‘modelitos’ para vestir os avatares
Para quem ainda não conhece o game, no Second Life conhecidas lojas, marcas, restaurantes, cabeleireiros, artistas e espaços culturais, dentre outros, têm existência virtual. E você, com seu avatar, pode conversar, comprar produtos e serviços, interagir com outros personagens, sentar pra tomar um café e, assim, ir vivendo e se sociabilizando na virtualidade.
Mas o que levaria uma empresa a aderir à exposição de sua marca em um ambiente de game? O doutorando em comunicação e semiótica da PUC-SP, Abel Reis, crê que essa adesão está vinculada a um esgotamento cada vez maior das tradicionais formas de comunicação publicitária. Na opinião dele, as marcas, nesse ambiente, assumem o papel de fabricar sensibilidades, enfatizar valores, propor crenças, instilar desejos, construir atmosferas ideológicas e culturais propícias ao consumo, mobilizando e capturando a atenção e a memória do usuário-consumidor.
Já do ponto de vista do usuário, uns vêem o Second Life apenas como um espaço de brincadeiras e jogos, enquanto outros como um lugar de construção de relacionamentos sociais. Seja como for, Clay Shirk, o professor da NYU, parece torcer o nariz para mídias e ambientes como o SL que operam na diluição das fronteiras entre as identidades dos avatares e dos usuários.

Avatar usado pela revista Criativa para ilustrar concurso que premiará a melhor história sobre experiência sexual no SL
Quem não conhece, mas quiser arriscar experimentar o SL, o Guia de Futilidades da revista Trópico dá algumas dicas de como se iniciar nesse game que te propõe uma ‘segunda vida’ avatarizada. Para acessar o Guia, clique aqui.
Brasileiro cruza rio Tamisa a nado para protestar contra Guerra do Iraque
Como ser visto e ouvido pelas multidões em tempos de grande competitividade de produção de noticias? Só para citarmos um exemplo, aqui no Brasil, nesses últimos trinta dias, as manchetes passaram pela visita do papa, pela discussão da maioridade penal, prisão do dono da Gautama, pelo ministro demitido, pela namorada do presidente do Senado, queda do número dois da Polícia Federal, ocupação da Reitoria da USP, por José Serra posando de atirador de elite, pelos caça-níqueis, bingos, tropeços do PAC, pelo prefeito Gilberto Kassab brincando com cachimbo de crack, pela Parada Gay, pelos rolos do irmão do presidente, pelo comandante da PM atacado a bala no Rio – isso só para citar algumas manchetes nacionais na imprensa de tipo mais clássico, que tem a política como centro da esfera pública. Se fôssemos também relacionar as manchetes da imprensa que privilegia os temas da vida privada, o rol de notícias não terminaria mais.
Como, então, falar para e chamar a atenção de milhões e milhões de pessoas em meio a tanta produção de ‘fatos’ e à guerra para virar notícia? Pois bem, neste sábado, 16 de junho, um irrequieto jovem brasileiro, film-maker, nadador e ativista da paz, Paulo Duarte Guimarães, fará uma inusitada performance-manifestação em Londres. A performance, intitulada Swim for Peace, consiste em atravessar o rio Tamisa a nado, de uma margem a outra – do acampamento pela paz até o Parlamento Britânico –, com o objetivo de protestar contra a Guerra do Iraque e as milhares de mortes de inocentes civis.

Acampamento pela Paz e Parlamento Britânico
Guerra e paz
Depois de ter sido assaltado por skin heads em Londres, Paulo foi acolhido pelo ativista Brian Haw que montou, há 6 anos, o acampamento pela paz na Praça do Parlamento. No dia que o acampamento completou seu sexto aniversário, em 2 de junho, o brasileiro fez sua primeira performance, devidamente filmada - para ver o filme clique aqui-, o que lhe rendeu algumas horas de prisão, pelos guardas do Parlamento, e outras em um hospital, a fim de checar se as turbulentas e imundas águas do Tamisa não haviam promovido nenhuma contaminação.


Na Praça do Parlamento, os ativistas avisavam: Paulo foi pescar a paz
Paulo deu o seguinte significado à sua performance:
“Nadei pela paz em memoria dos mais de 70 milhoes de pessoas chacinadas entre 1500 e 1576 na america do sul pelos portugueses e espanhois...
Nadei contra a guerra do iraq...
Nadei pela devolucao do respeito e riquezas da minha terra, hoje postas no topo do big ben, palacio da rainha da inglaterra e muitas estatuas londrinas...
Nadei contra os governos totalitarios e contra o pensamento nazi-facista europeu- mundial...
Nadei contra as guerras civis na africa, excitadas pela inglaterra e estados unidos
Nadei contra a politica do G8...
Nadei contra as politicas publicas dos governos municipais, estaduais e federal brasileiro, que estao totalmente ausentes das camadas populares e das comunidades carentes, com fome de educacao, saude, esporte, arte e possibilidades de vida...
Nadei por uma juventude mais consciente e ativa.
Nadei pelas iniciativas justas, simples e efetivas, como o projeto reacao na rocinha, brasil.
Nadei e continuarei nadando pois sou ator do meu proprio filme, minha
vida, que e muito valiosa e curta para ser pequena..
salve as raizes brasileiras! salve os tupinamba da guanabara!! salve
yemanja e ogum beira-mar!!!”
“Amor não é um sentimento, é um fenômeno”
12 de junho. Dia dos Namorados. Data de festejar o amor romântico que, segundo vários pesquisadores do tema, é tema-chave na vinculação entre sociedade e consumo. Mas deixando esse aspecto socioeconômico de lado, o que seria o amor, essa palavra que rende tantos folhetins, poesias, peças, fantasias, novelas, filmes, notícias e publicidades em nossa sociedade? Buscando esclarecer melhor o conceito dessa palavra, Rosana Rodrigues Gomes da Silva, que defendeu tese de doutorado intitulada "O amor e seus mo(vi)mentos" , diz que, em sua pesquisa, pode constatar que o amor é mais um fenômeno do que um sentimento.
Um dos motivos que levou Rosana a essa convicção reside nas diversas entrevistas que realizou para saber como as pessoas definiam o amor. "Fiz um rastreamento, mas as pessoas não conseguem definir, não sabem o que é isso, não conseguem se centrar numa definição", disse em uma entrevista à Agência Brasil.
Essa dificuldade foi um dos motivos que levou a pesquisadora a constatar que o amor não é um sentimento e nem uma emoção: “O processo do amor é lento e gradual. Compreende uma série de aprendizados, ações e interpretações para a sua dotação de sentido e que, invariavelmente, os seres humanos constroem conjuntamente”, disse, preferindo uma concepção de amor não-psicológica e, sim, enquanto construção de relações transpessoais.

A pesquisadora também diferencia o sentimento da emoção. Ela classifica de sentimento as sensações emocionais que nos acometem e geram reações físicas intensas, ou não. Como exemplo a paixão: ela arrebata o apaixonado em sua fase inicial, determinando todas as suas ações, mas sofre uma transformação com o passar dos dias que ou conduz ao amor ou acaba.
O amor, segundo ela, ainda envolve uma série de fantasias e maneiras como as pessoas processam tais fantasias. Um exemplo é o do casal em que o marido viaja constantemente. Durante dias a mulher não recebe notícias dele, com isso ela começa a sofrer pensando coisas como, “ele não gosta mais de mim, está com outra mulher”. Por isso, tanto o amor como o ódio seriam fenômenos apreendidos. Depende da carga emocional da "fantasia", da maneira como a pessoa promove e processa os fatos de sua vida.
Rosana também esquematizou a relação entre sentimento, emoção e amor. Os sentimentos, segundo ela, formariam a base e a estrutura do ser humano em relação a sua própria vida, atitudes e relações interpessoais; a emoção viria num segundo patamar, já englobando valores apreendidos e a opção de vida, que reflete a intensidade e a representação dos sentimentos para a pessoa. Todos são aspectos interdependentes e, talvez, hierárquicos, visto que por meio do autoconhecimento, conduzem-nos ao comportamento amoroso e às atitudes afetuosas. O amor não é, mas englobaria, uma série de sentimentos, segundo constatou a pesquisadora.
Espetáculo teatral é transmitido em tempo real pela web
“Essencial” está em temporada no Rio de Janeiro. Segundo a divulgação do espetáculo, esta é a primeira vez que um espetáculo teatral é transmitido ao vivo, em tempo real, pela web. A temporada vai até 1º de julho, de terça a domingo, às 19h30.
Para assistir ao espetáculo "Essencial" em tempo real (qualquer uma das sessões) o endereço é: www.essencial.art.br. Quem preferir conferir ao vivo, o teatro fica na Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Texto e direção de Demétrio Nicolau. Com Nara Keiserman, Samir Murad, Wanderley Gomes, Mihay Freire, Ricardo Gonçalves e Clarisse Zarvos.
Entre realidade e reality, cresce mercado da ‘presença’
De uns tempos para cá, especialmente a partir do advento do fenômeno que transforma pessoas midiaticamente visíveis em ‘celebridades’, vem crescendo aceleradamente um novo tipo de mercado de trabalho: o da ‘presença’ em festas e eventos.O principal objetivo da contratação de tais ‘presenças’ parece ser o da criação de um ambiente que sirva à cobertura midiática e à estratégia comunicacional do idealizador do evento. A celebridade que faz presença também parece funcionar como um elemento vivo do cenário, que ajuda a compor a imagem idealizada e o estado de espírito almejado.
A profissionalização da ‘presença’ ainda parece vir acompanhada de um outro fenômeno: o da construção de realities. Afinal, a celebridade não vai à festa porque aquele é seu ambiente social. Vai a trabalho ajudar a construir uma “realidade” imaginada, uma simbologia estrategicamente traçada para o evento. Ela também não vai ali porque vai exibir um objeto de trabalho (seu canto, sua performance como ator que apresenta um personagem, etc). Ela, sujeito, é o próprio objeto, o que parece modificar algo nas relações clássicas de trabalho, pois, no caso em questão, ela não parece vender exatamente a mão de obra, mas a si mesma, ou a sua imagem, ou melhor a sua imagem de corpo presente, pois estamos falando do trabalho de 'presença'.

Diego Alemão, vencedor do BBB7, tem feito ‘presença’ em eventos de vários estados do país e enchido cada vez mais o 'cofrinho'
Tempo e espaço
Não por acaso, vivemos, hoje - com as coberturas ao vivo e a instauração do ‘tempo real’ na web -, em meio a ambientes tecnológicos onde o tempo da representação se pretende ser o mesmo da realidade histórica. Isso vem sendo acompanhado do crescimento de uma percepção (ou crença) de que as realidades simbólica e histórica se equivalem. Tudo isso é acompanhado de um paradigma científico (diga-se físico), em que todos os espaços são igualados, ou seja, são literalmente os mesmos, pois tudo é uma manifestação do hiperespaço - donde se pode deduzir que, por tal prisma, espetáculo e realidade histórica são espacialmente equivalentes. É essa compreensão espacial que parece dar entrada para a ocorrência de programas como o Big Brother, que constrói uma realidade à parte (com o mundo extramuros da casa interditado), a partir da qual ocorrerá uma experiência real, o que leva os participantes do programa e nós que os assistimos a embaralharmos o reality do espetáculo com a realidade da vida.
Vários teóricos vêm questionando o igualamento de todos os espaços. Não é que se questione que as descobertas dos físicos sobre a matéria estejam erradas. O que vários críticos dessa concepção de espaço questionam é se as manifestações do espírito podem ser espacialmente igualadas às manifestações da matéria, o que leva, certamente, a outro questionamento: os espaços de representação e do espetáculo podem ser igualados ao da realidade da vida? Para tais críticos não poderiam, de forma que, para eles, a concepção estética de programas como o Big Brother passaria por uma percepção, concepção e compreensão equivocada acerca do espaço (e conseqüentemente do tempo). Seja como for, o que podemos constatar é que a atual visão de espaço dos físicos, especialmente os do hiperespaço, parece ser cada vez mais hegemônica na sociedade contemporânea.
Tratamento de choque

Foto EGO
Paris Hilton não come e nem pára de chorar descontroladamente desde que voltou ao centro carcerário de Los Angeles, por decisão da Suprema Corte. Seu psiquiatra, Charles Shopy, tem acompanhado o estado emocional da herdeira do império hoteleiro, segundo o site TNZ. A milionária mimada - que parecia que tudo podia fazer - se vê diante de um limite radical: a prisão. Seu pranto ininterrupto parece revelar que, talvez, pela primeira vez, ela esteja se deparando com algum limite real e intransponível.
Para quem pouco ou nunca teve que lidar com limites, a experiência parece estar sendo traumatizante, dolorosa e quiçá enlouquecedora. Na opinião do ator George Clooney, Paris Hilton está colhendo os frutos da publicidade barata. "Se pode usar truques para chamar a atenção do público, se pode ir longe sem nenhum talento aparente, se pode valer de escândalos para se promover, mas tem que aguentar as consequências", disse ele ao site Enterteinment Wise.
Paris Hilton, a monitorada
Ela não é participante de Big Brother, mas a vida da patricinha–celebridade, Paris Hilton, vem sendo, há algum tempo, monitorada praticamente 24 horas por dia, todos os dias, pelas lentes dos paparazzi. Agora, por determinação da justiça, esse monitoramento será literal, pois ela usará uma pulseira eletrônica no tornozelo, que ‘dedurará’ todos os seus passos.
Isso porque, por “motivos médicos”, ela foi liberada, nesta quinta-feira (7), da prisão, depois de apenas 3 dias de pouso no xadrez. A contrapartida da liberação imposta pela justiça é a prisão domiciliar, o que inclui o uso da pulseirinha (ao menos são fisicamente mais confortáveis que aquelas correntes com bola de ferro). O que não temos muita certeza é se a pulseirinha era mesmo necessária já que os paparazzi parecem cumprir papel semelhante.

A estátua de cera de Paris Hilton, vestida de presidiária e exposta em museu de Nova York, nos leva a indagar: ela é presidiária das mídias, da justiça, ou de ambas? É que alguns teóricos associam o atual sistema de vigilância das mídias – especialmente às celebridades - ao modelo prisional de Jeremy Bentham: uma grande torre posicionada no centro de um presídio que permitia ao vigilante monitorar todos os movimentos dos presidiários. Esse modelo de vigilância inspirou o livro 1984, de George Orwell, que, por sua vez, serviu de inspiração ao reality show “Big Brother”. Tal sistema de vigilância estaria se aprofundando com as novas tecnologias, tal como a do celular
Raica descontente com preço de mercado de Raica-marca
Em meio à toda badalação, confete e desfile de marcas no Fashion Rio, as melhores notícias não sobraram pra modelo Raica de Oliveira, uma das ex-madames fenomenais. Descontente com o cachê que seria pago, a modelo se desentendeu com seu agente Sérgio Mattos e acabou sendo demitida pela agência Rio 40 Graus.
“Raica não gostou porque nenhuma marca quis pagar o cachê que ela julgava merecer. Ela disse que eu não estou vendendo sua marca direito, então eu mandei que ela procurasse um outro agente. Raica tem complexo de Gisele Bundchen”, afirmou Sérgio ao site O Fuxico.
Mas o que seria a Raica-marca?
'Seres' não-impunes
Para nós, Raica-marca é um construto empresarial que se confunde com a individualidade, uma espécie de máscara específica para o consumo público. O que Raica talvez ainda não tenha compreendido é que tais máscaras invisíveis – estas personas midiáticas, esses 'personagens midiáticos de si' - não são ‘seres’ que são construídos impunemente. Eles acabam sendo apropriados pelos consumidores de diversas formas e ganhando uma autonomia relativa aos negócios envolvidos, num mercado competitivo de subjetividades.
As apropriações pelo público conferem à ‘personagem midiática de si’ uma certa autonomia em relação à pessoa real - no caso, a Raica-indivíduo - pois a performance dela nas mídias é lida de inúmeras maneiras.Quem quer ser celebridade precisa saber conviver com as estranhezas entre ego e realidade mercadológica e entre história pessoal e leitura do público da história pessoal e da performance do ‘personagem midiático de si’.
Festejando os 100 anos de Dercy
Filha de alfaiate e lavadeira, Dercy Gonçalves nasceu em Santa Maria Madalena (RJ) em 23 de junho de 1907, mas as comemorações do centenário começam hoje (6), com festa na Casa Petra, em São Paulo. No convite, um recado sobre o melhor presente: a compra do DVD “Dercy 100”, sobre sua vida e seus 83 anos de carreira. A atriz, que é nome obrigatório na história da chanchada e da comédia brasileira do século XX, ganhou o DVD de Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o ex-todo-poderoso da Globo.

Abaixo, um trecho da matéria feita pela revista Isto É, por ocasião da eleição de Dercy Gonçalves como a ‘brasileira do século’, na categoria Artes Cênicas.
"Escola de irreverência
Estrela das comédias da praça Tiradentes e das revistas musicais do Cassino da Urca, fez do palavrão cavalo de batalha. "Sou um retrato do País, que é a própria escrotidão", dispara. Ao imitar os trejeitos de Carmen Miranda, coçava o corpo todo. Ironizava o caminhar manco de Orlando Silva e fazia troça do vozeirão de Vicente Celestino. Fez 36 filmes e, a partir de 1957, entrou também na televisão. Nos anos 60, Consultório sentimental, na TV Globo, uma espécie de talk-show primitivo ela esculhambava o convidado, chegou a ter 90% da audiência dos aparelhos ligados. "Sou uma escola de irreverência."Casou na década de 40 com o jornalista Danilo Bastos, dez anos mais jovem. "Não era amor, e sim troca." Teve um caso tórrido com o acrobata Vico Tadei, mas amor verdadeiro, de chorar, só o Luís Pontes, o rapaz de bons modos de Madalena. "Escrevia cartas e as lágrimas caíam no papel. Mas o tempo passou e eu esqueci Luís Pontes. Ai de nós se não houvesse o esquecimento."”
Em 'Dercy Biônica' Em a 'Dama das Camélias', versão cômica

Fontes: Folha de São Paulo, EGO, Wikipidia, Isto É.
Pé-de-serra eletrificado ao “mói de
coentro”
Já que estamos em junho, quando os sons nordestinos se espalham pelas festas juninas que ocorrem em todo o país, aproveitamos o ensejo para convidar-lhes a ouvir o arrasta-pé do “Bando Virado no Mói de Coentro”. Nascido em meados de 2001, o “Bando” nasceu, segundo palavras deles mesmos, “com a proposta de difundir a cultura musical do Nordeste, mantendo a legitimidade melódica, mas incorporando instrumentos que propõem uma releitura da tradicional música nordestina, dando ênfase aos pífanos e à guitarra”.
Quer
saber o que é estar “virado no mói de coentro”? Este é um termo usado em
Pernambuco e Paraíba pra dizer que alguém está querendo mostrar serviço e dizer
a que veio.
Novelas globais apagam rugas para resistir ao tempo
Desde a última novela das oito, “Páginas da Vida”, a Globo passou a experimentar um software, o Baselight, que, tal como o Photoshop, consegue minimizar as marcas do tempo, reduzindo as linhas de expressão, rugas, gorduras, manchas na pele e todas as demais supostas imperfeições do corpo dos atores e atrizes. Também já estão à venda algumas máquinas fotográficas digitais com recursos de “emagrecimento” do fotografado.
Toda essa digitalização da carne - acompanhada das cirurgias plásticas, dietas, cosméticos, malhações e demais técnicas que nos prometem a recriação perfeita do corpo – apontam para transformações maiores do que muitos imaginam. O “culto ao corpo” se relaciona, segundo a antropóloga Paula Sibília, a mudanças profundas no eixo da subjetividade:
“A verdade sobre o que cada um é não se oculta mais no cerne da nossa interioridade psicológica - naquele magma denso e misterioso, oculto “dentro” de nós [...] Em vez daquelas subjetividades tipicamente modernas, pacientemente elaboradas no silêncio e na solidão do espaço privado proliferam de maneira crescente as personalidades alterdirigidas, voltadas não mais para “dentro de si”, porém para “fora”, para se expor ao olhar dos outros.”, diz ela em entrevista à Revista Trópico.

Culto ao corpo e manipulação digital das imagens apontam para mudanças no eixo da subjetividade
Os blogs e fotoblogs pessoais também ajudam a configurar esse quadro de mudanças na subjetividade. Se, antes, os diários pessoais eram trancados a chave, hoje eles se expõem ao mundo, num modo de ser exteriorizado que visa atingir a cobiçada visibilidade e a promoção de determinados efeitos no olhar alheio. E, como tudo é dirigido ao olhar do outro, há forte tendência da exteriozação ocorrer de forma estratégica e instrumentalizada, o que, por sua vez, parece gerar uma certa crise sobre as verdades, instaurando um clima cada vez maior de incertezas. “Está ele agindo apenas para me convencer ou está sendo verdadeiro? O namoro de fulano com cicrana é de verdade, ou é fake e puro “merchan””?, indagam-se os fãs das celebridades. A conseqüência é que uma das contrapartidas dessa nova forma de se expor parece ser a da necessidade do outro de flagrar os recônditos da intimidade, a fim de se saber se a imagem exposta é falsa ou verdadeira.
Todas essas mudanças parecem acarretar, ainda, inúmeras outras transformações culturais.
Desta forma, não parece acontecer à toa o sucesso dos reality shows. Aqui, apesar da interferência de outros na edição dos programas, o ator (participante) tenta 'escrever' as caraterísticas de seu personagem, expondo um Eu visível que busca a adesão do Outro, os espectadores, ouvintes e leitores. Da mesma maneira, uma telenovela que se utiliza de um software como o Baselight parece estabelecer uma luta paradoxal. Pois ao buscar a adaptação aos novos tempos e tecnologias, para resistir enquanto formato melodramático, vai consolidando as formas relacionadas aos conteúdos da “personalidade exterior”, deixando pouco a pouco, na poeira, paradigmas estruturantes do melodrama, como o dos personagens voltados para “interioridade psicológica”.
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